“A luta é dura, mas a recompensa vem para aqueles que perseveram”

Atualmente existem diversos homens que são professores, coordenadores em grandes companhias de dança e proprietários de escolas de ballet. A equipe “Bailarinos BH” teve a oportunidade de conversar com o ex-bailarino e atual professor e presidente da Associação Mineira Dançartes e também coordenador pedagógico da Dançartes, Rodrigo Jauar, de 31 anos.

Rodrigo Jauar. Foto: Bruna Dias

Rodrigo Jauar. Foto: Bruna Dias

Rodrigo nos explicou o que é o projeto Dançartes, que tem sua sede localizada na região do Barreiro em Belo Horizonte. “A Dançartes foi criada em 2004, inicialmente como uma ONG apenas chamada Associação Mineira Dançartes. Em 2013 dividimos em duas organizaoes: A escola privada Dançartes e a ONG Associação Mineira Dançartes, cujo sou presidente. Na Dancartes sou coordenador pedagógico. Sempre recebemos rapazes, sem problema algum, muito pelo contrário.” Rodrigo também comentou o curioso fato dos alunos homens procurarem inicialmente o ballet clássico apesar de ser considerado o mais difícil. “Por mais incrível que lhes possa parecer, a procura pelo clássico é maior. Existem casos de rapazes que se sentem intimidados com o clássico e procuram primeiro o contemporâneo, mas com o tempo acabam se apaixonando pelo clássico também, ou sentem a necessidade de fazê-lo, umas vez que para ter oportunidades reais na dança precisa-se ter conhecimento das duas técnicas.” Atualmente a Dançartes conta com cinco alunos homens, porém apenas um aluno é financiado pela Associação Mineira Dançartes. O fato das mesmas aulas serem frequentadas tanto por meninos, quanto por meninas, levaram alguns pais a terem um olhar etnocêntrico sobre os rapazes. “Já aconteceu de pais acharem que os meninos poderiam ficar interessados em suas filhas, mas a conversa sempre foi muito aberta e não toleramos este tipo de envolvimento dentro dos estabelecimentos da escola.” Explica Rodrigo, e ainda completa nos relatando um caso curioso envolvendo uma de suas alunas. “Já presenciei uma situação atípica, mas não sei se posso denominá-la como preconceito: uma aluna do infantil me pediu pra não ter que dançar com menino porque ela tinha vergonha, pois sua criação sempre foi separada, menino com menino, menina com menina, algo bem conservador que na cabecinha dela seria uma agressão forçar, tendo que ser trabalhado aos poucos.” Rodrigo Jauar, ao longo de sua trajetória no ballet passou por grandes obstáculos e sabe as dificuldades que os homens sofrem nesse meio. Segundo o professor e ex-bailarino, perseverança é chave para a conquista. Rodrigo deixa um recado motivando todos que já estão no ballet e os que ainda sonham em ingressar no meio. “Acreditem sempre, pois tudo que você ama de verdade e realmente quer, é você quem tem que ir atrás, desistir jamais! A luta é dura, mas a recompensa vem para aqueles que perseveram e realmente tem a alma dançante.”

Por trás das cortinas: Artigos de Ballet

Praticamente qualquer atividade que envolva movimentação, seja ela esportiva ou artística, demanda um certo tipo de equipamento para a prática daquela atividade, e com o Ballet não é diferente. Por isso o blog Bailarinos BH foi atrás de lojas especializadas em artigos para dança, como o Ballet. A loja que visitamos foi a Capezio, que fica na região do Bairro Funcionários, em Belo Horizonte.

A fachada da loja Capezio, que está em Belo Horizonte a mais de vinte anos. Foto: Daniel Reis

A fachada da loja Capezio, que está em Belo Horizonte a mais de vinte anos. Foto: Daniel Reis

Conversamos com a vendedora Martha, que trabalha a mais de dez anos na loja. Ela nos diz que desde sempre a loja trabalha com artigos para homens. “Nunca tivemos problemas algum com artigos para homens!”, afirma Martha. Ela ainda diz que nunca presenciou nenhum caso de desrespeito ou preconceito na loja. ” São todos como uma grande família e se respeitam muito. Eles vem sempre aqui, são muito educados e amam o que fazem!”, ela completa.

Sobre o público infantil,  Martha diz que a procura é um pouco menor, mas os meninos bailarinos sempre frequentam a loja. “Sempre vem um ou outro acompanhado da mãe ou tia, mas raramente acompanhado por pai ou outro homem da família.”, diz a vendedora. Ela afirma que apesar do ballet ter uma grande procura, os produtos destinados para homens que saem mais são os de dança de salão, e justifica: “Há em Belo Horizonte um grande público para a área.”, termina Martha.

Para quem quiser se interessar sobre a loja e quiser fazer uma visita, a loja é localizada na Rua Antônio de Albuquerque, 749 – Funcionários, Belo Horizonte – MG, 30112-010

Telefone: (31) 3225-3383

ass-dan

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Jornalista por profissão, Bailarino por paixão

A capital mineira deixa a desejar no quesito cultural, tanto na questão da acessibilidade a programas artísticos culturais, quanto nas oportunidades de se viver da arte.
Muitos bailarinos, por questões sociais, não sabem das oportunidades provenientes da dança ou, por questões financeiras, não podem dedicar-se o tempo preciso para que isto um dia ocorra.
Conversamos com Rafael Pereira Francisco, 25, bailarino a dez anos, e estudante do último período de Jornalismo. A seguir, Rafael conta um pouco sobre estas questões  e sua trajetória na dança:
Rafael Francisco durante aula de ballet. Foto: Bruna Dias

Rafael Pereira durante aula de ballet. Foto: Bruna Dias

HOMENS BAILARINOS (HM): Como surgiu seu interesse pela dança?
RAFAEL PEREIRA (RP): É meio engraçado, porque meu interesse começou assistindo vídeos do Michael Jackson, ele tem umas linhas clássicas,uma base clássica.
Quando eu tinha uns 13,14 anos fui buscar minha irmã no ballet com minha mãe, a professora perguntou se eu não queria fazer uma aula experimental, me apaixonei, achei lindo!
Não só o ballet, todas as danças, mas só o ballet era acessível para mim na época. Foi aí que eu comecei a dançar, estudar, pesquisar sobre o ballet clássico, bailarinos brasileiros.. Fui cada vez mais me apaixonando.
HB: Como você vê sua relação com o Ballet e o Jornalismo?
RP: Desde que eu comecei a fazer ballet, nunca tive a visão de me tornar um profissional da dança. Acho que pelo ambiente que eu cresci, minha realidade social, eu não tinha o horizonte tão aberto. Mas eu sempre gostei, porém com o tempo vi que as oportunidades são difíceis, e não tem que ter dedicação, tem que ter além da dedicação. É algo bem difícil.
Chegou um tempo que eu precisava trabalhar, queria ter minha grana..  E eu não culpo meus pais, mas pelo contexto social que estávamos inseridos eles também achavam que o ballet não me daria futuro. Foi uma escolha, não sei se errada ou certa, aí eu saí.
Trabalhei um tempo, peguei exército mesmo não querendo, e depois voltei pro ballet, com 19 anos. Aí eu vi que já estava meio tarde para confiar só no ballet para seguir uma carreira. Como eu sempre gostei de comunicação, Jornalismo foi uma área que me interessou e me possibilitou a estabilidade financeira.
HB: Quais seus objetivos com a dança?
RP: Eu não tiro nada de dança (financeiramente), então eu não faço disso uma profissão. Meu objetivo é realmente fazer disso um estilo de vida. Enquanto eu puder, vou dançar.. Porque é o que eu amo, que me faz bem, que me traz paz de espírito, literalmente. Meu objetivo não é entrar em uma companhia, dar aulas.. Até porque estou fazendo carreira em uma outra profissão. Claro que tudo pode acontecer, oportunidades podem surgir, ainda que pequenas. Se acontecer, é algo a se pensar, não descarto isso.
HB: Como são as possibilidades de viver da dança em Belo Horizonte?
RP: De modo geral, a arte em BH é fraquíssima! Tem expandido muito, de uns cinco anos pra cá, na questão de movimentos culturais, circuitos culturais.. Isso tem crescido bastante. Mas a dança em geral, ela meio que se arrasta, quase perdendo o fôlego, porque não tem consistência. Belo Horizonte não tem incentivo por parte do estado, nem por parte privada. Então é muito difícil, as oportunidades são poucas.
É engraçado porque isso não faz parte da nossa cultura, a criança já cresce visando se formar em uma área acadêmica, nem passa pela sua cabeça as possibilidades de se tornar um músico, um pianista, um bailarino. Nossa cultura aqui, infelizmente, é estudar, passar na faculdade, tentar um concurso público e ter dinheiro quanto mais cedo melhor, para garantir a aposentadoria.
Bailarino concilia as aulas de ballet com o curso de jornalismo. Foto: Bruna Dias

Bailarino concilia as aulas de ballet com o curso de jornalismo.
Foto: Bruna Dias

HB: Você acha que as oportunidades para bailarinos são mais possíveis em outros estados?
RP: Com certeza! Não sei bem o motivo, Belo Horizonte é uma cidade grande, mas não tem como ser comparada a SP e RJ, que são metrópoles, e por isto, você tem mais visibilidade e oportunidade.
BH tem pouca visibilidade, não só para o  Ballet, mas para certas profissões e formas de arte. Acho que aqui a arte não é tão valorizada quanto nestas outras cidades.
Rafael Pereira. Foto: Bruna Dias

Rafael Pereira. Foto: Bruna Dias

HB: Fazer aulas de Ballet é acessível a todas as classes sociais?
RP: Não, de forma alguma. E cai novamente na questão da cultura.
Tem o circuito cultural, a popularização do teatro, espetáculos baratos, mas não tem procura das classes mais carentes, porque não existe popularização da cultura em regiões menos favorecidas.
Prova disto é você pegar um cara que mora na periferia, ele nem sabe que existe o circuito cultural, e se o circuito cultural é de graça para todo mundo, ele deveria estar a par deste movimento. Com a dança acontece o mesmo, sem falar que o Ballet clássico é uma dança cara,em questão de figurinos, aulas..
Então está aí mais um problema. Nas periferias, a dança que existe lá dentro, é a que surge lá. O ballet clássico não chega lá, a não ser por iniciativas privadas, ou projetos sociais, mas que de modo geral, são poucos para sanar esta carência.
ass-bruass-gui

Certeza da Profissão

O primeiro contato com o campo nunca é fácil. E estreando no trabalho com uma pauta tão difícil que era tratar sobre o Ballet Jovem e seu término (até ali sendo permanente) foi um grande desafio. São os primeiros contatos, como lidar e fazer as perguntas certas para ir na direção que queríamos.

Chegamos à porta do Palácio das Artes em busca de ouvir depoimentos daqueles envolvidos no processo. Depois de algumas perguntas, fomos deslocados até o Cefar (Centro de Formação Artística), para ouvirmos algum representante do grupo de dança. Ao chegarmos no Cefar, fomos recebidos pela Maria do Socorro, funcionária da casa que se prestou a nos ajudar, porém o grupo estava em reunião, e disse que deveríamos voltar depois que a reunião acabasse. Então ela sugeriu que a gente fosse falar com a Assessoria de Imprensa do Palácio das Artes.

Fomos até a assessoria, onde conversamos com a Fernanda, que nos atendeu, porém não tirou as dúvidas que a gente precisava para uma abordagem melhor da matéria.

Depois de voltar para a secretaria do Cefar, conversamos mais com a Socorro, que nos contou um pouco da história do projeto que foi ideia do seu marido, e um pouco do sofrimento daqueles bailarinos que estavam perto de perder um lugar que os acolheu e possibilitou o  desenvolvimento de seus talentos. A cada detalhe dito por Socorro sobre o projeto, e as decisões da nova direção do Palácio, eu ficava mais surpreso e  incentivado a continuar como jornalista, para poder propagar a mensagem de apoio aqueles dançarinos. Depois vieram os coordenadores do projeto, que disseram mais do sofrimento e da angústia de não saber o futuro.

Sair dali depois daquela manhã mudou a minha mente de uma forma que eu não esperava. Ali, tive certeza do meu futuro como jornalista, de forma a propagar as mensagens mais importantes do nosso cotidiano, e da necessidade de se fazer bom jornalismo.

ass-gui

Lições aprendidas em campo

A partir da proposta do Trabalho Interdisciplinar Dirigido, pude junto com meus colegas de grupo vivenciar o dia a dia e trajetória de homens bailarinos de Belo Horizonte.

Ao acompanhar um ensaio de ballet, pude observar o sacrifício que cada um ali presente fazia por seu sonho, e todas as barreiras que podem surgir no caminho. Ao visitar uma loja de artigos para dança, aprendi o quanto pessoas podem mudar a vida da outra apenas sorrindo e sendo gentis. Mas, a mais importante lição acredito que tenha sido perceber o quanto o ballet é uma arte bela que se destaca das outras danças pele delicadeza, que disfarça a força exigida dos bailarinos. Força que inspira Belo Horizonte a cada espetáculo  e que com certeza vai inspirar todo o mundo.

ass-dan

Primeiros conflitos em campo

Em uma manhã de segunda-feira ensolarada foi quando fui ao campo pela primeira vez. Eu e meu colega de grupo Guilherme Resende, decidimos fazer uma matéria sobre o fim do projeto Ballet Jovem Palácio das Artes.

Antes de ir até o Palácio das Artes, colhi o máximo de informação possível sobre o fim do projeto. Chegando à recepção me identifiquei como estudante de jornalismo pela primeira vez, logo as primeiras gaguejadas apareceram. Lá fomos orientados a ir ao prédio ao lado onde fica o Centro de Formação Artística (CEFAR).

Chegando ao CEFAR senti um clima tenso, justificado pelo fim do principal projeto, o Ballet Jovem. Na secretária do CEFAR fomos atendidos por uma senhora, Maria do Socorro, dona de uma simpatia inigualável. Após uma longa conversa,  Socorro nos contou todos os verdadeiros detalhes sobre o fim do projeto,além de nos  aconselhar a ida até o prédio da assessoria de imprensa.

Fomos recebidos pela assessora de impresa da Fundação Clóvis Salgado (FCS), órgão responsável pela administração do Ballet Jovem. Foi na sala da assessora que ocorreu o momento mais conflituoso, ela não respondeu a maior parte de nossas perguntas e, quando éramos respondidos, a versão dela era totalmente diferente do que tínhamos acabado de ouvir da secretária do Ballet Jovem. Ela finalizou a conversa, dizendo que nossas perguntas só seriam respondidas pelo diretor geral da FCS, e que deveríamos fazer um agendamento para conseguir a entrevista.

ass-joao

Estranhando o familiar

Quando o tema da pesquisa foi proposto, eu, bailarina desde os nove anos de idade, pensei que não fosse haver estranhamento ou conflitos por minha parte, afinal, é um ambiente ao qual estou familiarizada. No decorrer da pesquisa, percebi que para obter um real aproveitamento, precisaria estranhar o conhecido, para assim de fato, conseguir enxergar a realidade dos homens que praticam Ballet através dos olhos deles, e não do meu ponto de vista, mulher e bailarina.

Os anos de envolvimento com a dança, me capacitaram  a percepção de que ser artista, – ao contrário do que o senso comum prega- não é uma escolha de vida fácil, é uma escolha muito corajosa. Doar-se de corpo e alma para a arte é muito desgastante, exige uma dedicação imensa, sem amor é praticamente impossível!

Sem contar a pressão gigantesca que a sociedade impõe de que o certo, o honroso, é entrar pra uma faculdade, prestar um concurso público, ter dinheiro, ter dinheiro novamente, e por fim, ter dinheiro mais uma vez.

Sabendo de toda estas questões que englobam a coragem de bater no peito e dizer: “É ISSO QUE EU QUERO PRA MIM!” Perguntei, em campo, a um bailarino: “quando você se assumiu bailarino, enfrentou alguma dificuldade?” E, antes mesmo de terminar a frase, bailarinas ao redor começaram a rir e insinuar que “assumir-se bailarino” quer dizer: “assumir-se gay”. Ora, veja bem, se a pergunta fosse feita a elas, não teria esta conotação, não é mesmo?

Triste perceber que o preconceito está bem presente, talvez de forma despercebida, ali, no meio, entre bailarinos. Esta foi uma constatação que só consegui perceber quando deixei de lado a  bailarina que existe em mim e fui, durante aquela entrevista, (onde não sabiam que eu também dançava) apenas jornalista.

Após este episódio, me peguei pensando: “devo escolher melhor as palavras”, mas poxa, que retrocesso, “assumir” não está ligado a questões de gênero.

É muito triste ter que pisar em casca de ovos, e assim, coagir com o preconceito alheio, ou até mesmo ser conivente. As pessoas são maldosas!

ass-bru

Revendo Conceitos

“Ballet é coisa de mulher”, era o que muitos diziam, inclusive eu. Mal sabia que a quantidade de homens que fazem parte desta arte é bem ampla. Continuando com minha mente um pouco fechada, achava que os homens que dançavam eram homossexuais, estava errada novamente.

Pesquisando mais a fundo em sites, páginas do facebook, blogs e indo em apresentações e espetáculos, descobri que há muito homens heterossexuais que dançam. Fiquei incrivelmente maravilhada com isso, além das coreografias, é impressionante o tamanho do esforço que eles fazem, provavelmente muito maior que o da mulher, apesar de elas dançarem na ponta e eles não.

Durante meu trabalho de campo fui me introduzindo mais nesse universo e percebi uma grandiosidade desse mundo que eu nem imaginava. Ao entrevistar uma professora de ballet, ela foi me contando o passo-a-passo de um bailarino e o que ele devia fazer para chegar ao estrelato.

Ela me falou dos concursos, da pressão, tudo que é necessário e que eu com certeza não daria conta. Ao presenciar outras entrevistas, não necessariamente feitas por mim, mas sim por meus colegas, entendi o quão belo e interessante é esse mundo. Estou muito feliz de ter aprendido sobre tal grupo urbano.

ass-carol

Familiarizando-se com o novo

Sempre fui encantada pelo mundo do ballet, e, apesar de meus pais nunca terem atendido aos meus pedidos de me matricular em uma escola de ballet quando criança, meu fascínio pela dança não cessou.

Na adolescência, acabei me envolvendo com o hip hop – uma dança, digamos, “bruta” – e a visão dos homens dançando também era algo bruto. Nunca havia presenciado um homem dançando ballet.

Em meu primeiro contato com o tema, fiquei maravilhada com a graça com que os bailarinos dançavam. A leveza parecia fazê-los flutuar, e suas expressões de alegria ao fazer aquilo que ama, escondiam perfeitamente o preconceito pelo qual alguns sofrem.

O ballet, na maioria das vezes, é associado à feminilidade, delicadeza. Logo, as pessoas são etnocêntricas e julgam que, todo bailarino é homossexual. É aí que entra a relativização: quando abri meus olhos e minha mente para o novo, vi que ao dançar ballet, o homem não perde sua masculinidade em momento algum. Muito pelo contrário.

O encantamento aconteceu, de verdade, quando assisti a apresentações em um concurso de dança. Ver a forma com que os bailarinos dançavam e pareciam viver aquilo, mudou completamente minha perspectiva. Quando conversei com um, mudou mais ainda. A humildade que eles carregam, mesmo desempenhando um trabalho tão bonito, me surpreendeu.

Hoje, sou completamente grata por ter tido esse contato e vivenciado um pouco do universo do ballet masculino. Gostaria que todos tivessem se deparado com a beleza que é mudar seu conceito de determinado assunto.

ass-nath

“Sou pai de uma menina e quero entender melhor o que se passa em seu universo”

É muito comum sempre vermos bailarinos homens começando por um sonho de infância, sendo um sonho de seguir uma carreira como dançarino. Porém o publicitário, ator e também apresentador Bernardo Sant`anna, de 41 anos, escolheu o ballet principalmente por influência de sua filha, que depois se tornou um hobby para o trabalho.

Bernardo Sant'anna, 41, escolheu o ballet pela sua filha.

Bernardo Sant’anna, 41, escolheu o ballet pela filha. (Foto: arquivo pessoal)

Bernardo diz que não teve esse interesse quando criança, mesmo tendo algum contato com o mundo da dança. “Sempre gostei de dança, acho o ballet uma forma de expressão muito bonita, que exige do praticante um controle rítmico e de movimentos sensacionais, mas nunca tive esse interesse quando criança. Nem quando eu acompanhava meu pai como presidente da Fundação Clóvis Salgado, quando tinha contato com o corpo de baile da Fundação”, explica Bernardo.

O publicitário diz que a principal motivação para ele começar a dançar ballet foi a sua filha de 4 anos. “Logo cedo, ela foi levada pela mãe para Recife, sem minha autorização. E sempre sonhei em levá-la no ballet. Foi uma forma que encontrei de levá-la ao ballet duas vezes por semana. É um encontro com minha filha e com o universo feminino através da delicadeza profunda”, ele afirma.

Ele ainda diz que existe um preconceito, mas a sua família o apoiou quando ele decidiu começar a dançar. “Além de ter sido motivado por minha filha, é um exercício muito bom, exige muita coordenação motora. Durante o ballet, só escuto música boa, clássica, faço muito alongamento e tem me ajudado a eliminar o estresse. Ou seja, na verdade existem muitos motivos pra fazer”, conclui Bernardo.

ass-gui